domingo, 24 de dezembro de 2023

Amor, terror, amor

Em uma noite escura, foi então que eu deduzi


Que você, muito linda e bela, um dia iria partir. 


A imaginação me fere, ver seu corpo entardecer. 


Amálgama que me dói, sacrifício do viver. 


Não há nada que nos separe, nem a morte, nem a escuridão.


Viverás sempre em meu peito, em meu espírito, meu coração. 


Mas não vá agora, pois está cedo demais para ir. 


Se acaso for agora, grande dor irei sentir.


Seja sutil, aos poucos desapareça. 


Quem sabe, pelo mal que fiz, sua morte seja o que eu mereça.


"Minha amiga, tenha bons sonhos, que eu te desejo."


Mas vem a tensão, sacrilégio do desespero. 


Talvez vá dormir, e nunca acorde, como vem acontecendo. 


Que não aconteça que você pereça, é meu tormento. 


Alguns chamam-me louco por ter medo de sua morte. 


É que morrerei junto: quem tem azar vive à própria sorte. 


Não pense em mim, no entanto. 


Se for, vá em paz.


Pois quando eu também me for, 


Seremos dois iguais.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

Depressão

 Num quarto vazio

Me lembro do abandono ao altar

Me lembro de quando deixei de sorrir

De quando deixei de amar

A vida já passou 

E eu não quero sonhar

Nem mesmo dormir

Porque não sei se vou acordar

Você é minha

 Eu desejo comer suas entranhas,

Num ato de amor tão estranho,

Sua carne em minha garganta arranha,

Enquanto seu rim eu arranco.


Quero conhecer seu mecanismo,

Decorar seu exoesqueleto,

Onde é melhor enfiar a facada,

Para então concluir meu enxerto.


Espalhar seu corpo pelo rio,

E então beber a água que emana.

Em frente a seu corpo eu rio,

No fim, você não é m

ais humana.



Avó

 Saudade de ti, presente em memórias,

Seu ser virou cinzas, ao vento espalhadas.

Nesta sala, ecoam histórias,

Quadros, revistas, lembranças, jornadas.


Das quais lembro te ouvir dizer

Da vida, tão confusa, para compreender:

"A morte é a única certeza,

Mas nas memórias iremos viver"


Ensinou-me a ser forte, mas dominou-me a covardia,

O túmulo que não fui visitar,

Meu remorso é renovado, a cada dia,

Por em seu leito não te acompanhar.


Já fiz muito mal à sua alma,

Juro que sinto, com muito pesar,

Não visitei tanto quanto eu podia

E agora só me resta rezar.

Só queria...

 Só queria um sorriso

Só queria um amigo

Só queria um olhar, 

Em teu olhar ver abrigo.


Queria não [te] preocupar, 

Me preocupando,

Queria ser amado,

[Não] te amando.


Só queria [contigo] ver o horizonte, 

Ler [e escrever] os livros da sua estante;

Compor a música que muito ouvias,

Embora não possa tocá-la todo instante.


E, desfalece, seu rosto treme,

Como treme, gemidos que não se esquecem;

Quando põe a mão na lareira quente;

E sua mão na del

e [não] se aquece.

Infância Manchada

A noite é uma criança, mas não ferida nem abandonada.

É passagem do tempo, acolhida, não ultrajada.

É vale das sombras, onde riso transforma-se em lamento, e cada segundo em tormento.

A esperança escapa dos dedos. E, por não acordar cedo, foi-se o laço rosa, fino e terno.

14:33

 14:33


14:33; banho de sol

Olho pra lua,

Cheiro do lençol

Nua, toda sua.


À toda moda

Querendo te ter,

Contando as horas

Até o amanhecer.


14:33; ouço seus passos;

Entra de fininho

Tirando os calçados,

Já sente o seu hálito

Imaginando os amassos.


14:33, sonhar acordada

A pele na sua

A roupa amassada

Sinto carícias

Carícias ousadas 


14;33, um belo poema

O lábio macio

A boca morena

Abraça o pescoço

Da sua pequena.


14:33; hora de ir

O sol já se pôs

Já vai sair...

Fica pra depois.


14:33, uma chamada

Alô? Quer voltar pra casa?

Onde se 

faz o lar

É onde se faz sua morada.



sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Cinderela

 Seja tanto quanto linda

Seja tanto quanto bela

Assim és, minha morena,

A minha Cinderela

Instante

Deus me disse

Que viver é o bastante

Mas a vida passa tão rápido

Cada dia um instante


Novos lugares descobertos

Tantas verdades conflitantes

Mas os livros, empoeirados,

Largados na estante.

Incerteza

    Do abismo, começo a fixar-te o olhar

    Indescritível a vontade humana de escapar

    De um amor que a vida toda

    Não estive a esperar

   

    Choro, então, choro sem parar

    Meu passarinho, há muito morto

    Não para de soar


    Dentre todas as coisas do mundo,

    O que devo esperar?

    De todas as canções,

    Qual irá cantar?


    O amor é faca de dois gumes

    E se houver que meu peito sangre

    Haverá quem meu sangue estanque? 

Pequeno Passarinho

 

Morra, pequeno passarinho

Que voa desde o amanhecer

Voa, pois quando anoitecer,

Como uma presa qualquer,

Irá perecer.


Morra, passarinho,

Pois liberdade não há.

Quem não morre amanhã,

Morrerá devagar.


Morra, passarinho, 

E cante sem parar

Pois do vampiro que espreita

Nunca escapará.

Alguns pensamentos sobre a humanidade moderna

Em cada lugar Há sempre um de nós, Mas por que então  Sentimos todos sós? Nas sombras do caos, Ecos de vozes perdidas. Caminhos entrelaçados...