Em uma noite escura, foi então que eu deduzi
Que você, muito linda e bela, um dia iria partir.
A imaginação me fere, ver seu corpo entardecer.
Amálgama que me dói, sacrifício do viver.
Não há nada que nos separe, nem a morte, nem a escuridão.
Viverás sempre em meu peito, em meu espírito, meu coração.
Mas não vá agora, pois está cedo demais para ir.
Se acaso for agora, grande dor irei sentir.
Seja sutil, aos poucos desapareça.
Quem sabe, pelo mal que fiz, sua morte seja o que eu mereça.
"Minha amiga, tenha bons sonhos, que eu te desejo."
Mas vem a tensão, sacrilégio do desespero.
Talvez vá dormir, e nunca acorde, como vem acontecendo.
Que não aconteça que você pereça, é meu tormento.
Alguns chamam-me louco por ter medo de sua morte.
É que morrerei junto: quem tem azar vive à própria sorte.
Não pense em mim, no entanto.
Se for, vá em paz.
Pois quando eu também me for,
Seremos dois iguais.
