quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Alguns pensamentos sobre a humanidade moderna

Em cada lugar

Há sempre um de nós,

Mas por que então 

Sentimos todos sós?


Nas sombras do caos,

Ecos de vozes perdidas.

Caminhos entrelaçados,

Mas almas desconhecidas.


Há esperança encardida

Naquilo que nos nega,

Mas amantes deixando-se...

Nem o destino espera.


Acaso são fiéis 

Aos contratos de papéis?

As pessoas que não cumprem

Do acaso se fazem rés.


O bom é escondido

Na sombra dos holofotes,

Gênio incompreendido,

O que importa são os plots.


A violência mata muito

Com tiro de aluguel,

É que o ser humano, raça incompreendida

Suja, imunda, sabe ser cruel.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Maresia

A maresia acabou

Com o que eu tinha, 

Mas aos poucos.

Acabou com o que eu queria,

Mas de repente.

De tantos povos,

Tantas pessoas,

Tanta gente!

A maresia escolhe logo eu,

Louco dos loucos,

Incompetente.

domingo, 24 de dezembro de 2023

Amor, terror, amor

Em uma noite escura, foi então que eu deduzi


Que você, muito linda e bela, um dia iria partir. 


A imaginação me fere, ver seu corpo entardecer. 


Amálgama que me dói, sacrifício do viver. 


Não há nada que nos separe, nem a morte, nem a escuridão.


Viverás sempre em meu peito, em meu espírito, meu coração. 


Mas não vá agora, pois está cedo demais para ir. 


Se acaso for agora, grande dor irei sentir.


Seja sutil, aos poucos desapareça. 


Quem sabe, pelo mal que fiz, sua morte seja o que eu mereça.


"Minha amiga, tenha bons sonhos, que eu te desejo."


Mas vem a tensão, sacrilégio do desespero. 


Talvez vá dormir, e nunca acorde, como vem acontecendo. 


Que não aconteça que você pereça, é meu tormento. 


Alguns chamam-me louco por ter medo de sua morte. 


É que morrerei junto: quem tem azar vive à própria sorte. 


Não pense em mim, no entanto. 


Se for, vá em paz.


Pois quando eu também me for, 


Seremos dois iguais.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

Depressão

 Num quarto vazio

Me lembro do abandono ao altar

Me lembro de quando deixei de sorrir

De quando deixei de amar

A vida já passou 

E eu não quero sonhar

Nem mesmo dormir

Porque não sei se vou acordar

Você é minha

 Eu desejo comer suas entranhas,

Num ato de amor tão estranho,

Sua carne em minha garganta arranha,

Enquanto seu rim eu arranco.


Quero conhecer seu mecanismo,

Decorar seu exoesqueleto,

Onde é melhor enfiar a facada,

Para então concluir meu enxerto.


Espalhar seu corpo pelo rio,

E então beber a água que emana.

Em frente a seu corpo eu rio,

No fim, você não é m

ais humana.



Avó

 Saudade de ti, presente em memórias,

Seu ser virou cinzas, ao vento espalhadas.

Nesta sala, ecoam histórias,

Quadros, revistas, lembranças, jornadas.


Das quais lembro te ouvir dizer

Da vida, tão confusa, para compreender:

"A morte é a única certeza,

Mas nas memórias iremos viver"


Ensinou-me a ser forte, mas dominou-me a covardia,

O túmulo que não fui visitar,

Meu remorso é renovado, a cada dia,

Por em seu leito não te acompanhar.


Já fiz muito mal à sua alma,

Juro que sinto, com muito pesar,

Não visitei tanto quanto eu podia

E agora só me resta rezar.

Só queria...

 Só queria um sorriso

Só queria um amigo

Só queria um olhar, 

Em teu olhar ver abrigo.


Queria não [te] preocupar, 

Me preocupando,

Queria ser amado,

[Não] te amando.


Só queria [contigo] ver o horizonte, 

Ler [e escrever] os livros da sua estante;

Compor a música que muito ouvias,

Embora não possa tocá-la todo instante.


E, desfalece, seu rosto treme,

Como treme, gemidos que não se esquecem;

Quando põe a mão na lareira quente;

E sua mão na del

e [não] se aquece.

Alguns pensamentos sobre a humanidade moderna

Em cada lugar Há sempre um de nós, Mas por que então  Sentimos todos sós? Nas sombras do caos, Ecos de vozes perdidas. Caminhos entrelaçados...